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Prazeres das Águas Termais

Boa opção para todos os públicos

Por Daniela Buono

Banhos terapêuticos com água em uma temperatura média de 39 graus centígrados, fartas refeições, esportes radicais e uma paisagem formada por campos e montanhas. Quem resiste a uma receita de lazer como esta? Desde a Antigüidade, as chamadas termas são freqüentadas por quem gosta de descanso e valoriza as propriedades medicinais de suas águas.

O Brasil possui infinito potencial turístico e um de seus mais ricos segmentos é o do termalismo. Alguns dos circuitos de estâncias hidrominerais de maior prestígio internacional estão situados em terras brasileiras. Porém, nos últimos anos, as cidades que detém esse potencial turístico passaram a ser menos valorizadas. Em tempos de crise, esses municípios têm nas chamadas águas termais um canal de crescimento promissor. O resgate desse ramo turismo é uma rica opção de destino para todo tipo de público.

Com o avanço da cosmetologia, as propriedades estéticas das águas termais também passaram a se tornar mais conhecidas. O termalismo e a crenoterapia - formas de utilização da água mineral e termal com finalidades terapêuticas - são marcas dessas cidades. Os termos termalismo e crenoterapia são complementares. O primeiro é definido como ciência que trata da exploração e utilização das águas termais e minerais, e o segundo das suas indicações e usos medicinais.

Termas em todo o país

A maior parte dos estados brasileiros possui pelo menos uma estância hidromineral. Minas Gerais abriga as Águas Carbogasosas de Caxambu, São Lourenço, Cambuquira e Lambari; assim como o das Águas Termais Radioativas Sulfurosas de Araxá e Poços de Caldas, Caldas, Pocinhos do Rio Verde e Patrocínio.

Na Bahia, um dos primeiros hospitais termais das Américas surgiu no Vale do Rio Itapicurú, em Cipó. Este esquecido circuito baiano, junto com Jorro e Itapicurú, está localizado caprichosamente em clima de caatinga e distante pouco mais de 200 km dos luxuosos resorts da Costa do Sauípe. Tratam-se de nascentes e poços de águas termais (quentes) de raras águas alcalino-terrosas. Por todo o Nordeste citam-se muitos outros locais com ocorrências de águas mineromedicinais: Brejo das Freiras (PB), Mossoró e Apodi (RN), Caldas de Barbalho (CE), Caldas do Bamburral, Olinda e Salgadinho (PE), Gamboa (MA) e, no Pará, as águas quentes de Monte Alegre e as salgadas de Salinópolis.

No Rio de Janeiro, são historicamente conhecidas, por seu paladar, as Águas Carbogasosas de Raposas e diversas outras ocorrências de águas oligominerais nas estâncias montanhosas cariocas: Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo...

No Mato Grosso são espantosas as vazões nascentes das cachoeiras de águas quentes nos mananciais do Rio São Lourenço, o mesmo ocorrendo com as badaladas termas goianas do Rio Quente e Caldas Novas, completando este circuito goiano com as águas quentes e salgadas de Cachoeira Dourada e Jataí.

Em Santa Catarina, o Circuito das Caldas da Imperatriz, Tubarão, Gravataí, Águas Mornas, Guarda e Urussunga possui das melhores infra-estruturas do país e águas com teores mundialmente reconhecidos de gás radônio em meio às nascentes de águas quentes e oligominerais que deram origem no passado até mesmo a conflitos armados com indígenas, que as consideravam sagradas.

Estâncias paulistas

No Estado de São Paulo, existem atualmente 63 estâncias, sendo 13 hidrominerais. Destas, dez pertencem ao mesmo circuito, o chamado Circuito das Águas Paulista: Águas de Lindóia, Águas da Prata, Amparo, Atibaia, Campos do Jordão, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Poá, Serra Negra e Socorro.

Por estranho que pareça, estas são águas oligominerais frias (com temperatura média de 21ºC durante o ano todo) e possuem as maiores radioatividades nas fontes do País, que também ficaram conhecidas por seu paladar levíssimo, através de famosas marcas engarrafadas.

Turismo saúde

Vale destacar aqui que duas das maiores províncias hidrominerais do planeta, para aproveitamento em atividades de termalismo, turismo saúde e turismo hídrico estão no Brasil: bacia sedimentar do Rio Paraná e bacia sedimentar amazônica. Na Bacia do Paraná, onde o famoso Aqüífero Guarani é considerado como o maior reservatório de água doce potável do mundo, existem também diversas estâncias hidrominerais, com águas minerais de especialíssima complexidade e alcalinidade, com propriedades terapêuticas já reconhecidas e com aproveitamento em atividades balneológicas e hidroterápicas. Existe um gigantesco potencial para viabilização de outras estâncias hidrominerais nesta desenvolvida região do Mercosul.

Entre os exemplos de São Paulo, destacam-se Águas de São Pedro e Ibirá, por suas características mundialmente conhecidas. Outros municípios paulistas que também fazem proveitos da recreação aquática são: Piratininga, Presidente Epitácio, Presidente Prudente, Fernandópolis, Lins, Jales, Araçatuba e Olímpia. Essas águas especiais são alcançadas através de poços profundos, muitos de perfurações prospectoras de petróleo e que permitiriam acesso a estes preciosos mananciais. História semelhante ocorreu em outros municípios abrangidos por esta bacia sedimentar, como no Paraná: Maringá, Cornélio Procópio, Iretama, Mallet, Palmas, Guarapuava, Bandeirantes. Também em Santa Catarina: Palmito, São Carlos, Chapecó, Piratuba e no Rio Grande do Sul: Irai, Marcelino Ramos Ijuí, Vicente Dutra, Catuípe. Este mesmo manancial subterrâneo se estende até o Uruguai (Dayman, Salto Grande e Arapey) e a Argentina (Federación, Chajary e Colón).

Cultura indígena

A Amazônia também possuiu locais onde a cultura indígena e cabocla conhece águas e lamas com propriedades curativas, possuindo a maior riqueza mundial de áreas consideradas “intocadas” pela civilização. Destaca-se nesta região a diversidade, nítida até vista do espaço, entre as águas superficiais do Rio Negro e as barrentas do Rio Solimões.

A gigantesca hidrodiversidade da Bacia Sedimentar Amazônica estende-se a seus aqüíferos subterrâneos profundos, onde novamente atividades petrolíferas identificaram a ocorrência de águas hipersalinas, ou seja, mais salgadas que as marinhas.

Com o maior litoral tropical do mundo, possuímos também um dos maiores conhecedores de talassoterapia, que envolve todos os chamados RNTs – Recursos Naturais Terapêuticos marinhos e litorâneos.

Além da rica variedade de mangues ainda preservados, praias de geografias únicas, em climas tropicais, equatoriais até temperados, nosso litoral permite a exclusividade de desfrutar das areias monazíticas em várias localidades, como Guarapari (ES), Peruíbe (SP), Região dos Lagos (RJ), Ilhéus – Olivença – Cumuruxatiba (BA) e outros pontos, até o litoral do Amapá.

É preciso incentivo

Apesar disso tudo, não possuímos nestes locais sequer um centro de estudos ou turísticos especializados em talassoterapia. Em resumo, temos um dos maiores patrimônios naturais da geodiversidade mundial, sendo estratégico o fomento em atividades relacionadas a estas riquezas naturais, devendo fazer parte de um enfoque multidisciplinar e de planejamentos governamentais, assim como a biodiversidade.

Apenas aumentando os conhecimentos sobre nossas ocorrências naturais e sobre seus eventuais usos, poderemos potencializar sua preservação e seu aproveitamento em atividades econômicas que, além de lucrativas, são altamente sustentáveis: termalismo; turismo saúde; medicina hidrológica, complementar, preventiva e ortomolecular; farmacologia, cosmética, SPAs, estéticas e outras relacionadas à saúde, bem estar (wellness) e beleza. Na Europa, diversos SPAs (salus per aqua) nasceram de suas estâncias hidrominerais ou termais, aproveitando suas fontes de águas mineromedicinais, lamas, sais, climatismo e outras matérias-primas naturais terapêuticas.

Incentivo é a palavra-chave para o desenvolvimento, ou melhor, para a retomada do termalismo no Brasil. Um exemplo: na Itália, estudiosos locais calculam que, nos últimos sete anos, o impulso dado ao setor de termalismo girou um volume financeiro superior a 3,5 bilhões de euros e o consumo de produtos farmacêuticos alopáticos diminuiu em quase 50%. Ou seja, o que não faltam são motivos para aproveitar o turismo advindo das termas!

 

 
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