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Banhos terapêuticos com água em
uma temperatura média de 39 graus centígrados,
fartas refeições, esportes radicais
e uma paisagem formada por campos e montanhas.
Quem resiste a uma receita de lazer como esta?
Desde a Antigüidade, as chamadas termas
são freqüentadas por quem gosta
de descanso e valoriza as propriedades medicinais
de suas águas.
O Brasil possui infinito potencial turístico
e um de seus mais ricos segmentos é o
do termalismo. Alguns dos circuitos de estâncias
hidrominerais de maior prestígio internacional
estão situados em terras brasileiras.
Porém, nos últimos anos, as cidades
que detém esse potencial turístico
passaram a ser menos valorizadas. Em tempos
de crise, esses municípios têm
nas chamadas águas termais um canal de
crescimento promissor. O resgate desse ramo
turismo é uma rica opção
de destino para todo tipo de público.
Com o avanço da cosmetologia, as propriedades
estéticas das águas termais também
passaram a se tornar mais conhecidas. O termalismo
e a crenoterapia - formas de utilização
da água mineral e termal com finalidades
terapêuticas - são marcas dessas
cidades. Os termos termalismo e crenoterapia
são complementares. O primeiro é
definido como ciência que trata da exploração
e utilização das águas
termais e minerais, e o segundo das suas indicações
e usos medicinais.
Termas
em todo o país
A
maior parte dos estados brasileiros possui
pelo menos uma estância hidromineral.
Minas Gerais abriga as Águas Carbogasosas
de Caxambu, São Lourenço, Cambuquira
e Lambari; assim como o das Águas Termais
Radioativas Sulfurosas de Araxá e Poços
de Caldas, Caldas, Pocinhos do Rio Verde e
Patrocínio.
Na Bahia, um dos primeiros hospitais termais
das Américas surgiu no Vale do Rio
Itapicurú, em Cipó. Este esquecido
circuito baiano, junto com Jorro e Itapicurú,
está localizado caprichosamente em
clima de caatinga e distante pouco mais de
200 km dos luxuosos resorts da Costa do Sauípe.
Tratam-se de nascentes e poços de águas
termais (quentes) de raras águas alcalino-terrosas.
Por todo o Nordeste citam-se muitos outros
locais com ocorrências de águas
mineromedicinais: Brejo das Freiras (PB),
Mossoró e Apodi (RN), Caldas de Barbalho
(CE), Caldas do Bamburral, Olinda e Salgadinho
(PE), Gamboa (MA) e, no Pará, as águas
quentes de Monte Alegre e as salgadas de Salinópolis.
No Rio de Janeiro, são historicamente
conhecidas, por seu paladar, as Águas
Carbogasosas de Raposas e diversas outras
ocorrências de águas oligominerais
nas estâncias montanhosas cariocas:
Teresópolis, Petrópolis, Nova
Friburgo...
No Mato Grosso são espantosas as vazões
nascentes das cachoeiras de águas quentes
nos mananciais do Rio São Lourenço,
o mesmo ocorrendo com as badaladas termas
goianas do Rio Quente e Caldas Novas, completando
este circuito goiano com as águas quentes
e salgadas de Cachoeira Dourada e Jataí.
Em Santa Catarina, o Circuito das Caldas da
Imperatriz, Tubarão, Gravataí,
Águas Mornas, Guarda e Urussunga possui
das melhores infra-estruturas do país
e águas com teores mundialmente reconhecidos
de gás radônio em meio às
nascentes de águas quentes e oligominerais
que deram origem no passado até mesmo
a conflitos armados com indígenas,
que as consideravam sagradas.
Estâncias
paulistas
No
Estado de São Paulo, existem atualmente
63 estâncias, sendo 13 hidrominerais.
Destas, dez pertencem ao mesmo circuito, o
chamado Circuito das Águas Paulista:
Águas de Lindóia, Águas
da Prata, Amparo, Atibaia, Campos do Jordão,
Lindóia, Monte Alegre do Sul, Poá,
Serra Negra e Socorro.
Por estranho que pareça, estas são
águas oligominerais frias (com temperatura
média de 21ºC durante o ano todo)
e possuem as maiores radioatividades nas fontes
do País, que também ficaram
conhecidas por seu paladar levíssimo,
através de famosas marcas engarrafadas.
Turismo
saúde
Vale
destacar aqui que duas das maiores províncias
hidrominerais do planeta, para aproveitamento
em atividades de termalismo, turismo saúde
e turismo hídrico estão no Brasil:
bacia sedimentar do Rio Paraná e bacia
sedimentar amazônica. Na Bacia do Paraná,
onde o famoso Aqüífero Guarani
é considerado como o maior reservatório
de água doce potável do mundo,
existem também diversas estâncias
hidrominerais, com águas minerais de
especialíssima complexidade e alcalinidade,
com propriedades terapêuticas já
reconhecidas e com aproveitamento em atividades
balneológicas e hidroterápicas.
Existe um gigantesco potencial para viabilização
de outras estâncias hidrominerais nesta
desenvolvida região do Mercosul.
Entre os exemplos de São Paulo, destacam-se
Águas de São Pedro e Ibirá,
por suas características mundialmente
conhecidas. Outros municípios paulistas
que também fazem proveitos da recreação
aquática são: Piratininga, Presidente
Epitácio, Presidente Prudente, Fernandópolis,
Lins, Jales, Araçatuba e Olímpia.
Essas águas especiais são alcançadas
através de poços profundos,
muitos de perfurações prospectoras
de petróleo e que permitiriam acesso
a estes preciosos mananciais. História
semelhante ocorreu em outros municípios
abrangidos por esta bacia sedimentar, como
no Paraná: Maringá, Cornélio
Procópio, Iretama, Mallet, Palmas,
Guarapuava, Bandeirantes. Também em
Santa Catarina: Palmito, São Carlos,
Chapecó, Piratuba e no Rio Grande do
Sul: Irai, Marcelino Ramos Ijuí, Vicente
Dutra, Catuípe. Este mesmo manancial
subterrâneo se estende até o
Uruguai (Dayman, Salto Grande e Arapey) e
a Argentina (Federación, Chajary e
Colón).
Cultura
indígena
A
Amazônia também possuiu locais
onde a cultura indígena e cabocla conhece
águas e lamas com propriedades curativas,
possuindo a maior riqueza mundial de áreas
consideradas “intocadas” pela
civilização. Destaca-se nesta
região a diversidade, nítida
até vista do espaço, entre as
águas superficiais do Rio Negro e as
barrentas do Rio Solimões.
A gigantesca hidrodiversidade da Bacia Sedimentar
Amazônica estende-se a seus aqüíferos
subterrâneos profundos, onde novamente
atividades petrolíferas identificaram
a ocorrência de águas hipersalinas,
ou seja, mais salgadas que as marinhas.
Com o maior litoral tropical do mundo, possuímos
também um dos maiores conhecedores
de talassoterapia, que envolve todos os chamados
RNTs – Recursos Naturais Terapêuticos
marinhos e litorâneos.
Além da rica variedade de mangues ainda
preservados, praias de geografias únicas,
em climas tropicais, equatoriais até
temperados, nosso litoral permite a exclusividade
de desfrutar das areias monazíticas
em várias localidades, como Guarapari
(ES), Peruíbe (SP), Região dos
Lagos (RJ), Ilhéus – Olivença
– Cumuruxatiba (BA) e outros pontos,
até o litoral do Amapá.
É
preciso incentivo
Apesar
disso tudo, não possuímos nestes
locais sequer um centro de estudos ou turísticos
especializados em talassoterapia. Em resumo,
temos um dos maiores patrimônios naturais
da geodiversidade mundial, sendo estratégico
o fomento em atividades relacionadas a estas
riquezas naturais, devendo fazer parte de
um enfoque multidisciplinar e de planejamentos
governamentais, assim como a biodiversidade.
Apenas aumentando os conhecimentos sobre nossas
ocorrências naturais e sobre seus eventuais
usos, poderemos potencializar sua preservação
e seu aproveitamento em atividades econômicas
que, além de lucrativas, são
altamente sustentáveis: termalismo;
turismo saúde; medicina hidrológica,
complementar, preventiva e ortomolecular;
farmacologia, cosmética, SPAs, estéticas
e outras relacionadas à saúde,
bem estar (wellness) e beleza. Na Europa,
diversos SPAs (salus per aqua) nasceram de
suas estâncias hidrominerais ou termais,
aproveitando suas fontes de águas mineromedicinais,
lamas, sais, climatismo e outras matérias-primas
naturais terapêuticas.
Incentivo é a palavra-chave para o
desenvolvimento, ou melhor, para a retomada
do termalismo no Brasil. Um exemplo: na Itália,
estudiosos locais calculam que, nos últimos
sete anos, o impulso dado ao setor de termalismo
girou um volume financeiro superior a 3,5
bilhões de euros e o consumo de produtos
farmacêuticos alopáticos diminuiu
em quase 50%. Ou seja, o que não faltam
são motivos para aproveitar o turismo
advindo das termas!