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Folia na Terra da Garoa
Carnaval de São Paulo está cada vez mais consolidado no gosto de turistas e foliões. Com estrutura e criatividade, escolas e staff trabalham para que o evento seja cada vez mais atraente.

A criatividade venceu a crise. Foi esta frase usada pelos jornalistas Chico Pinheiro e Mauricio Kubruskli, da TV Globo, para resumir o carnaval de São Paulo. A cidade realizou, segundo Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris, , o maior carnaval de sua história. E, na avenida, as escolas provaram que a criatividade e a superação são capazes de vencer qualquer obstáculo financeiro. Foi um verdadeiro show de alegorias e fantasias, que agitaram o lotado sambódromo do Anhembi nos dois dias de desfiles.

A campeã do grupo especial foi a Mocidade Alegre, tradicional escola do Bairro do Limão, que teve como enredo o coração, com o tema “Da Chama da Razão ao Palco das Emoções... Sou Maquina, Sou Vida... Sou Coração Pulsando Forte na Avenida!!!”. Com carros alegóricos bem acabados, belas fantasias e um toque especial de sua bateria, que desenhou um coração durante a apresentação para os jurados, a agremiação empolgou a torcida e faturou seu sétimo título em 41 anos de história. Em segundo lugar, com diferença de apenas 0,5 ponto, na última nota do último jurado, ficou a Vai-Vai, com o enredo “Mens Sana Et Corpore Sano – O Milênio da Superação”, que tratava da saúde e higiene. Foram rebaixadas para o grupo de acesso as tradicionalíssimas Nenê de Vila Matilde e Unidos do Peruche.

O carnaval paulistano ainda entrou para o Guiness Book, o livro dos recordes: o quinto carro da escola Império de Casa Verde, última escola a desfilar no grupo especial, mostrou um gigantesco tigre, de 55 metros de comprimento e 14 de altura, que realizava 17 movimentos diferentes. Mais de 200 pessoas trabalharam na confecção do carro que, não por acaso, chamava-se Majestoso Tigre Guerreiro. O felino é, aliás, símbolo da escola fundada há quinze anos. E, mesmo com a grandiosidade nas alegorias, a escola da Casa Verde ficou apenas em quinto lugar, com a diferença de 2,75 pontos para a vencedora. Porém, todas as escolas podem se considerar campeãs, com frisou a presidente da Mocidade, Solange Cruz Bichara Rezende. A crise mundial chegou à indústria do carnaval, afetando patrocínios e fornecedores de material. Com orçamento reduzido, coube a cada carnavalesco inventar maneiras para surpreender os jurados e o público. Seja reutilizando materiais de outros carnavais ou apostando em matérias-primas mais baratas que produzam os mesmos efeitos, cada um conseguiu uma alternativa.

Já nos “quesitos” turismo e economia, o carnaval de São Paulo também pode se considerar nota 10. A cidade recebeu, de acordo com a SPTuris, cerca de 30 mil turistas, número 7,14% maior em relação ao ano anterior. A movimentação no período foi de R$ 45 milhões, um aumento de 12,5%. Já a ocupação hoteleira na capital registrou aumento de 5% em relação ao ano anterior. Aproximadamente 25 mil empregos diretos e indiretos foram gerados, agregando 52 setores da economia local. Cada escola de samba contrata entre 120 e 200 pessoas para a produção do carnaval.

São Paulo, para garantir o crescimento do carnaval, apostou na estruturação e na variedade de atrações. Para atrair o público avesso às escolas de samba, os camarotes apostam na combinação que já faz sucesso nas casas noturnas da capital: gente bonita e agitação, mesmo que a atração principal não seja exatamente o desfile. O Bar Brahma ofereceu, além de traslados, opções como show da banda Paralamas do Sucesso e até apresentações com bandas de axé. E, apostando no caráter multifacetado e eclético de sua população, a terra o carnaval da garoa cresce e se consolida como um dos principais eventos do ano.
 

 
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