HOME
  PERFIL EDITORIAL
  EXPEDIENTE
  DESTAQUES
  ANUNCIE
  EDIÇÕES ANTERIORES
  CONTATO

Destaques 

Luiz Barreto: “O registro sindical da Confederação Nacional do Turismo é uma conquista merecida”

Efetivado no cargo de Ministro do Turismo em julho de 2008, após a saída de Marta Suplicy para disputar a prefeitura de São Paulo, o sociólogo Luiz Eduardo Pereira Barretto Filho tem a grande responsabilidade de coordenar, em âmbito governamental, o turismo no país. Antes de chegar ao Ministério do Barretto exercia a função de gerente nacional de Marketing e Comunicação do Sebrae.

Entre outros assuntos, o Ministro destaca a importância da CNTur no fortalecimento do turismo nacional: “O registro sindical da Confederação Nacional do Turismo é uma conquista merecida, e que chega com uma grande responsabilidade: a de auxiliar no fortalecimento do turismo”. Confira a entrevista na íntegra.

1 - Como o Sr. analisa a publicação do registro sindical para a Confederação Nacional do Turismo (CNTur)?

Luiz Barretto – O registro sindical da Confederação Nacional do Turismo é uma conquista merecida, e que chega com uma grande responsabilidade: a de auxiliar no fortalecimento do turismo, e na consolidação do segmento como em uma das principais atividades produtivas do país, responsável pela geração de emprego e renda a milhões de brasileiros.

2 - Com relação ao corte de 95% no orçamento do turismo, como explica isso?

Luiz Barretto – Não houve corte orçamentário e, sim, contingenciamento, o que é usual. Foram liberados recursos para serem utilizados até março, quando será editada a programação orçamentária e financeira para o restante do ano.

3 - A aprovação da Lei Geral do Turismo (LGT) foi vista como um grande avanço pelas entidades e empresas da cadeia produtiva do turismo. O que significa ter um marco regulatório para o setor?

Luiz Barretto – Em primeiro lugar, a LGT é uma grande conquista, acredito que a maior de 2008, porque agora estão claras as atribuições do poder público e da iniciativa privada para o desenvolvimento do turismo. Todos ganham com a nova legislação: os investidores terão maior segurança jurídica e as empresas poderão ter incentivos fiscais e aportes financeiros por meio de linhas de crédito oficiais. O turista terá mais tranquilidade, porque a lei estabelece regras para a fiscalização dos serviços prestados pelos hotéis, agências de viagens, transportadoras e outras empresas.

4 - A lei já está em vigor?

Luiz Barretto – Sim, desde a sanção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em setembro de 2008. No entanto, ela precisa de regulamentação. Estamos trabalhando nisso, junto com os estados brasileiros. Até o final de janeiro, o Ministério do Turismo envia para a Casa Civil uma minuta do decreto, em que serão regulamentados, por exemplo, a atuação do Sistema Nacional de Turismo, os procedimentos para fiscalização e a divulgação dos indicadores do turismo, entre outros pontos. Sobre a fiscalização, inclusive, as empresas têm um prazo para se cadastrarem que independe da regulamentação da LGT. Esse prazo termina em março, ou seja, a partir de abril, todas as empresas de turismo deverão estar cadastradas.

5 - As emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União são um passo importante para o desenvolvimento do turismo no país. A que o senhor atribui a iniciativa dos deputados e senadores de direcionar recursos para o turismo?

Luiz Barretto – Isso é fruto de uma ação proativa do Ministério. Em 2008, nosso orçamento de programação foi de R$ 500 milhões. É pequeno face às demandas que recebemos, visto que o turismo está em franco desenvolvimento no país. Diante disso, o aporte de emendas é fundamental para que a pasta tenha um orçamento condizente com a importância do turismo como atividade econômica, geradora de emprego e renda, e como também mecanismo de inclusão social.

Por isso, adotamos a estratégia de divulgar às bancadas parlamentares os projetos considerados estruturantes para potencializar o turismo nos estados e municípios, tendo como base o Plano Nacional de Turismo (PNT). O resultado tem sido o aumento expressivo do orçamento do MTur desde 2004. Em 2008, por exemplo, tivemos um orçamento de R$ 2.689,9 bilhões, dos quais R$ 2.151 bilhões vieram das emendas parlamentares.

É importante destacar que o Ministério do Turismo tem um alto percentual de execução orçamentária, em torno de 90%. A eficiência no empenho dos recursos também é essencial para fortalecer a credibilidade entre as bancadas parlamentares.

6 - O ano passado mobilizou diversos setores para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Quais foram as realizações do MTur direcionadas ao evento e as ações previstas para 2009?

Luiz Barretto - O MTur está focado inicialmente em ações de planejamento. Contratamos a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para fazer um diagnóstico das 18 cidades candidatas à sede da Copa. Esse estudo começa por Salvador (BA). A partir daí, poderemos estruturar ações integradas com estados, municípios, outros ministérios e a iniciativa privada para eliminar gargalos relacionados à infra-estrutura, malha aérea, segurança, meios de hospedagem, qualificação e outros tantos.

Este é um trabalho que aprofunda o Estudo de Competitividade dos 65 Destinos Indutores do Desenvolvimento Regional, que levantou as principais demandas das localidades priorizadas pelo Programa de Regionalização do Turismo. Nesse universo vamos dar atenção especial às cidades escolhidas pela FIFA para hospedar as seleções e sediar os jogos.

O MTur tem uma série de investimentos e projetos que não estão diretamente relacionados à Copa do Mundo, mas que certamente vão influir nos nossos destinos como atrativos para o público dos jogos. Por exemplo, a avaliação da rede hoteleira, a qualificação de museus, o turismo nos Parques Nacionais e melhorias de infra-estrutura turística.

Além de atividades próprias do MTur, o turismo será beneficiado pelos investimentos que serão feitos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa, recentemente confirmado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Portanto, a proposta de investimentos do MTur para o evento estará alinhada ao projeto do governo federal.

7 - Em 2008, o turismo também ganhou um reforço de caixa significativo com o convênio firmado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a aplicação de US$ 1 bilhão no Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), de âmbito nacional. Em que estágio está esse processo?

Luiz Barretto - Estamos em uma fase importante desse trabalho. Lançamos o programa há nove meses, após entendimentos satisfatórios com o BID. Doze estados, além do município de Goiânia, já conseguiram a aprovação de cartas-consulta pela Comissão de Financiamento Externo (Cofiex), do Ministério do Planejamento, e estão preparando a documentação exigida pelo BID.

O processo do Prodetur Nacional é bem mais ágil do que havia anteriormente com o Prodetur regional. Até agora foram aprovados US$ 746 milhões em financiamentos, sendo que o Ministério do Turismo vai assumir as contrapartidas dos estados. Para atender a essa demanda foram reservados R$ 100 milhões do orçamento de 2009.

Os resultados de 2008 sinalizam o acerto na criação de um novo modelo do Prodetur, com abrangência nacional. Ganhamos mais recursos para dinamizar o turismo, e os estados reconheceram esse esforço governamental em busca do desenvolvimento turístico.

8 - O senhor esteve em Londres, Nova Iorque e em países sul-americanos para lançar uma campanha publicitária de promoção internacional do Brasil. No final de 2008, foram lançadas outras duas, voltadas para o mercado interno. O que se espera dessas iniciativas?

Luiz Barretto - Em relação à campanha internacional Brasil Sensacional, a estratégia foi feita com base em pesquisas realizadas nos principais emissores de turistas do mundo, com pessoas que nunca estiveram no Brasil (turistas potenciais), com representantes do mercado turístico e com viajantes que já haviam visitado o país. Assim, os objetivos são de médio e longo prazo.

Em um momento de crise, como o que o mundo vivencia agora, é muito importante manter ações de promoção que marquem a presença do país na mídia mundial para garantir nossa fatia nesse grande mercado.

A crise financeira internacional antecipou, inclusive, o lançamento da campanha “Se você é brasileiro, está na hora de conhecer o Brasil”, voltada ao turismo doméstico. Com a queda na procura de viagens internacionais pelos brasileiros, provocada pela crise, vimos a oportunidade de atrair esses turistas para viagens dentro do Brasil. Para isso, é preciso criar condições de agregar novos públicos aos destinos nacionais. Com essa ação, esperamos um crescimento de 20% neste verão em relação à temporada passada.

A essa campanha juntam-se outras ações para ampliar o mercado interno. Foi o que fizemos em 2007 com o lançamento do programa “Viaja Mais Melhor Idade”, que é um sucesso. A expectativa era vender 50 mil pacotes em 2008 e chegamos a novembro com 180 mil vendas. Também estimulamos diretamente os agentes de viagens para a oferta de produtos brasileiros, com a campanha “Brasil Vendo Melhor”.

9 - As perspectivas para o turismo brasileiro em 2009 continuam otimistas?

Luiz Barretto – Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a equipe econômica anunciaram medidas para aquecer a economia brasileira, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor automobilístico e do Imposto de Renda para pessoas físicas. São ações que aumentam a confiança do consumidor e reforçam a nossa perspectiva de que, no curto prazo, há uma grande oportunidade para o turismo doméstico. Os últimos dados do Banco Central já apontam para isso, ao mostrar a queda de 30% nos gastos dos brasileiros no exterior e o aumento de 10% dos gastos de estrangeiros no Brasil. Ou seja, as pessoas estão mantendo o hábito de viajar. E agora dentro do país.

Ao mesmo tempo em que há incentivo de viagens, o MTur investe nos destinos turísticos brasileiros. De 2003 a junho de 2008 foram quase R$ 6 bilhões, divididos em infra-estrutura (R$ 4 bilhões) e promoção (R$ 500 milhões). Para o Prodetur, o repasse é de mais de R$ 300 milhões. Investimos outros R$ 500 milhões na realização de eventos nacionais e projetos de qualificação dos serviços turísticos. Os estados nunca receberam tantos investimentos no turismo como nesses últimos seis anos. Vamos continuar porque, até 2010, os 65 destinos indutores do desenvolvimento turístico terão que apresentar padrão de qualidade internacional. Caminhamos nessa meta.

Fonte: Assessoria de Imprensa Mtur

 

 
APOIO:






































































































































































ABRESI CNTur
Copyright © 2009 Revistur.com.br. Site desenvolvido por Gilmar Domingos
Home Clique aqui